>O que um cristão brasileiro do século XXI pode aprender com os puritanos ingleses dos séculos XVII-XVIII? (1/5)

O que um cristão brasileiro do século XXI pode aprender com os puritanos ingleses dos séculos XVII-XVIII? (1/5)

O cristão brasileiro, em geral, é historicamente leigo. Aqueles que não são de uma tradição reformada (e muitos que são) e já ouviram falar sobre os puritanos, normalmente tem pintado em sua mente um quadro obscuro de um grupo de zelotes legalistas que jorravam excessivas palavras para se expressarem em alguma questão (parte do objetivo desse blog é desconstruir/desmistificar esses pressupostos e preconceitos fundamentados em um sólido nada de mentes que nunca se aproximaram da literatura puritana).
Mas será que esses zelotes reprimidos e depressivos podem ensinar alguma coisa sobre a peregrinação de um cristão nessa terra para uma geração tão livre e extravagante de cristãos? Certamente que sim. Como bem expresso por J. I. Packer, somos anões incapazes de pensar enquanto os puritanos são gigantes espirituais. Aparte de um grande e genuíno avivamento espiritual, e décadas de reforma, intensa disciplina e profundo estudo bíblico, estou plenamente convicto que nenhum grupo de cristãos brasileiros chegará sequer aos pés desses nossos irmãos em Cristo que viveram entre 1550 e 1700 d.C.
Em primeiro lugar, eles nos ensinam maturidade. Se tem uma coisa que os cristãos brasileiros carecem é de maturidade. Packer define maturidade como uma “composição de sabedoria, boa vontade, maleabilidade e criatividade”. Estamos saturados de comodidade, conforto, luxo e prosperidade, coisas que jamais nos trarão maturidade. Tiago nos diz: “Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações, sabendo que a aprovação da vossa fé produz a perseverança, e a perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma”. (Tg 1. 2-4 ênfase minha). Provações e lutas nos amadurecem. Os sofrimentos e batalhas travadas pelos puritanos nesse deserto hostil produziram uma firmeza de caráter inviolável, santo e dedicado, que superou o desânimo, temores, hostilidade, e qualquer situação que Deus os permitisse passar, desde o encarceramento e doenças até a própria morte. John Geere, no sei folheto “O caráter de um velho puritano inglês ou não Inconformista” (1646) afirma:

“Toda a sua vida ele a tinha como uma guerra onde Cristo era seu Capitão; suas armas, orações e lágrimas; A cruz, seu estandarte; e sua palavra [lema], Vincit qui patitur [o que sofre, conquista]”.

Estamos usando de nosso privilégio de liberdade religiosa de uma maneira oposta a que deveríamos e com isso estamos afundando no lamaçal do pecado e da preguiça, ou deitando na cama do comodismo, de onde só levantamos para ir a algum circo, cheio de animação e atrativos que insistimos de chamar de “culto”.
Nós, cristãos do século XXI estamos como aquele homem de que Tiago relata na continuação de sua perícope, um homem “… semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa, homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos”.

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