A Incomparabilidade de Deus.

A incomparabilidade de Deus.

Miquéias 7. 18-20 “Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar. Mostrarás a Jacó a fidelidade e a Abraão, a misericórdia, as quais juraste a nossos pais, desde os dias antigos.”

 

Introdução:

Miquéias (Miqueias 1.1), é morastita – cidadão de Moresete, cidade de Judá (Josué 15.44) que ficava a alguns kilômetros ao sudoeste de Jerusalém. Seu ministério foi de 735 a.C. à 715 a.C.

Contemporâneo de Isaías. Existem dois oráculos idênticos de Isaías e Miquéias (Mq 4. 1-3 / Is 2.1-4). Eles possivelmente se conheciam.

Foi citado em Jeremias 26.18-19 (Mq 3.12). A profecia de Miquéias de que Jerusalém cairia levou Ezequias e o povo a se arrependerem e Jerusalém foi poupada de uma derrota nas mãos dos assírios (Isaías 37.14-38). Pela graça de Deus, os oráculos de Miquéias foram acatados pelo povo, o que contrasta com o profeta Jeremias.

A estrutura do livro.

São 19 profecias em 3 ciclos (Capítulos 1 – 2; 3 – 5; 6 – 7).

Cada ciclo começa com profecias de julgamento e termina com profecias de salvação, e cada uma delas começa com o verbo hebraico “sãma”, que é traduzido por ouvir (1.2 – 3.1 – 6.1).

Na própria estrutura do livro vemos Cristo, porque é do Messias que vem a condenação e a salvação. João 3.36 “Quem crê no Filho tem a vida eterna, o que todavia se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”.

Então chegamos ao último ciclo, e à última parte desse ciclo que é sobre salvação.

 

 A incomparabilidade de Deus. (verso 18a)

Ao começar a escrever a primeira parte do verso 18, é como se Miquéias estivesse escrevendo o próprio nome porque Miquéias significa “quem é como YAHWEH”?

Is 46. 5 “A quem me comparareis para que eu lhe seja igual? E que coisa semelhante confrontareis comigo?”

Sl 89. 6-7 “Pois quem nos céus é comparável ao SENHOR? Entre os seres celestiais, quem é semelhante ao SENHOR? Deus é sobremodo tremendo na assembleia dos santos e temível sobre todos os que o rodeiam.”

Is 40.18 “Com quem comparareis a Deus? Ou que coisa semelhante confrontareis com ele?”

 

Iremos ver cinco coisas:

1° A definição;  2° A demonstração; 3° Aquisição; 4° Alvo; 5° Aplicação.

1° A definição da Incomparabilidade de Deus.

É impossível definir Deus, pois Ele é O Definidor indefinível. Não há classe, tipo, categoria, gênero, analogia, alegoria, alguém ou alguma coisa a ser comparado com Ele. Ele é O único do Seu tipo.

Mas tentei definir, embora de um modo raso e superficial, para pelo menos começarmos a vislumbrar um pouco do fato de que Deus é incomparável.

A incomparabilidade de Deus está intrinsecamente ligada a Sua Santidade. Deus é único e inigualável porque Ele é Santo.

A Incomparabilidade de Deus é Sua assustadora, terrível e gloriosa Santidade, brilhando em luz inacessível, onde nada se pode igualar, fazendo toda a criação, nua em sua indignidade, reconhecer que é nada em comparação ao seu Criador.

Deus é incomparável em todo O Seu Ser, porque Ele é Santo em todo O Seu Ser.

Todas as perfeições de Deus são incomparáveis, porque todas elas são absolutamente santas. De modo que, Seu amor é Santo, por isso Seu amor é incomparável. Sua ira é santa, portanto incomparável, Sua justiça, Poder, Sabedoria, Conhecimento, Ódio, Misericórdia, Graça, enfim, todos os Seus atributos cada um deles, e todos eles juntos, na plenitude da Deidade, são infinitamente santos.

E existem alguns textos bíblicos que claramente nos ensinam isso.

Is 40.25 “A quem, pois, me fareis semelhante, para que eu lhe seja igual? diz o Santo.”

1 Sm 2.2 “Não há santo como o SENHOR; porque não há outro além de ti”

O cântico de Moisés e o cântico do Cordeiro que os remidos cantarão diz: “Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos” (Ap 15. 3-4).

O que esses três textos trazem em comum, é que somente Deus é Santo. Mas talvez surja uma questão em nossas mentes: Mas não existem outros seres que são chamados de “santos”? E a resposta é obviamente que sim. Isso é uma particularidade minha, mas creio que as criaturas mais santas e gloriosas são os Serafins, pelo fato de estarem mais perto de Deus (ver Is 6). Desde o momento que foram criados, pelo resto da eternidade, aqueles que “ardem em fogo”, sem cessar, sem esfriar, sem diminuir a intensidade dessa adoração e sem se enjoarem, clamam uns aos outros: SANTO, SANTO, SANTO é O Senhor dos Exércitos, e toda a terra está cheia da Sua Glória! (Is 6.3). E tal adoração é feita em humildade porque eles cobrem o rosto e os pés com suas asas.

Mas nem mesmo os Serafins adoram ou amam a Deus como Deus merece ser adorado e amado. Na verdade eles não chegam nem perto.

Como criaturas finitas que são, eles amam a Deus baseados no conhecimento que eles tem de Deus e a intensidade da adoração está em suas próprias forças. Tanto o conhecimento como as forças dessas criaturas são limitadas.

Deus é O único Ser, que conhece a Si mesmo de uma maneira perfeita e infinita, porque Seu próprio conhecimento é perfeito e infinito. E conhecendo a Si mesmo perfeita e infinitamente, Ele ama a Si mesmo dessa maneira. Portanto Deus é O único ser que Se ama como Ele deve ser amado. O Pai amando O Filho, O Filho amando O Pai e O Espírito Santo Os amando e Sendo amado, nessa perfeita, plena e gloriosa comunhão ad intra na Trindade.

Mas é aí que está o nosso problema. Porque se Deus conhece e ama a Si mesmo infinitamente, Ele também conhece perfeitamente o que é contrário a Ele e portanto abomina de uma maneira plena e infinita o que é contrário a Ele, ou seja, o pecado!

E esse pecado está dentro de nossos corações. Mas o pecado não é uma “criatura” independente e isolado em si mesmo. Ele está enraizado de tal maneira em nosso ser, que é a nossa própria essência. Concluímos que Deus odeia e abomina a raça humana assim como os demônios e satanás, de modo que o furor da ira de Deus contra nós é necessário, intenso, universal e perpétuo, porque nós O odiamos, e somos rebeldes contra Ele e amamos mais aquilo que é o exato-oposto de Deus, preferindo nossos desejos pecaminosos do que O Deus da Glória.

2° A demonstração de Sua incomparabilidade. (verso 18b)

Avançando o verso 18, temos 4 maneiras pelas quais Deus demonstra essa Sua gloriosa e santa incomparabilidade.

I. Perdoas a iniquidade.   Perdoar no hebraico é “Nasah”.

Também significa “Carregar a culpa”.Lv 5.1 “Quando alguém pecar nisto: tendo ouvido a voz da imprecação, sendo testemunha de um fato, por ter visto ou sabido e, contudo, não o revelar, levará a sua iniquidade”.

Lv 16.22 “Assim, aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles para terra solitária; e o homem soltará o bode no deserto.”

II. Esquece da transgressão. Esquecer em Hebraico é “Abhar” que significa transpassar, cobrir, fazer desaparecer, remover, lançar fora, passar por cima.

III. Ele não retém a Sua ira para sempre.

Ef 2.3 “Éramos por natureza filhos da ira”.

Is 54. 7-9 “Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te, num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o SENHOR, o teu Redentor. Porque isto é para mim como as águas de Noé; pois jurei que as águas de Noé não mais inundariam a terra, e assim jurei que não mais me iraria contra ti, nem te repreenderia”.

 

IV. Tendo prazer na misericórdia. Prazer em Hb. É “haphes” = estar satisfeito; desejar; agradar; deleitar se; amar.

Misericórdia é a famosa palavra hesedh, o amor pactual de Deus.

Também pode ser traduzida como bondade, benevolência, benignidade, clemência, beneficência, humanidade, fidelidade, graça.

 

Acabamos de ver a maior de todas as contradições que existe. Aquele que é incomparavelmente Santo, leva sobre Si mesmo os nossos pecados, e esquece nossas transgressões, e a Sua ira que é infinita e eterna, é retirada de nós ao passo que Deus agora está alegre e satisfeito em exercer Sua misericórdia.

O Deus justo se torna O Justificador de Seus inimigos.

Em outras palavras, a incomparável Santidade de Deus é Sua absoluta perfeição moral, e sua Glória é quando isso é demonstrado à outros, para O adorarem.

Pv 19.11”  A discrição do homem o torna longânimo, e sua glória é perdoar as injúrias.”

Da mesma maneira, a Glória de Deus é enaltecida quando Ele perdoa as injúrias, quando Ele justifica os ímpios.

Mas Deus não podia simplesmente nos perdoar, Ele iria contra a Sua natureza e negaria a Si mesmo, se Ele simplesmente nos declarasse justos. Um juiz que não condena alguém culpado, não é justo, e sim até mesmo mais corrupto que o culpado.

 

3° A aquisição ou a conquista dessa demonstração. (verso 19).

 

I. Pisando aos pés nossas iniquidades.

Pisar em Hb. É “Kabhas” = conquistar, subjulgar, sujeitar, vencer.

Cl 2. 13-15 “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de divida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”.

II. Lançando nossos pecados nas profundezas do mar.

John Gill disse: “Para não serem vistos mais (o pecado), apesar deles serem vistos com os olhos da Onisciência, e conhecidos pelos olhos da Providência, eles não são contemplados com os olhos da Justiça Vingativa, que foi satisfeita por Cristo”.

Assim como os Egípcios foram destruídos nas profundezas do mar vermelho (Ne 9.11 “E o mar fendeste perante eles, e passaram pelo meio do mar, em seco; e lançaste os seus perseguidores nas profundezas, como uma pedra nas águas violentas”) e assim como Jonas foi lançado no mar e a fúria da tempestade cessou. O nosso supremo inimigo, nossos pecado é lançado no mar, sendo totalmente destruído e a fúria da tempestade da Ira de Deus é apaziguada.

Cícero no diz que na lei de Roma, aqueles que matavam seus pais, eram amarrados vivos em sacos, e depois eram jogados no rio. Não eram jogados nus para não contaminarem o rio. Assim Deus fez com nossos pecados, Jesus Cristo os derrotou na cruz e os lançou no esquecimento, porque Ele mesmo sofreu a punição de nossos pecados em nosso lugar.

Nenhuma fonte limpa nossos pecados, a não ser o oceano do sangue de Cristo!

 

4° O alvo dessa demonstração. (verso 18 e 20).

Sua herança, Seu povo. Essa gloriosa aquisição e conquista de Cristo, é exclusiva ao povo de Deus. Exclusiva àqueles que O Pai escolheu antes da fundação do mundo (Rm 8. 30; Ef 1. 4), esses são as ovelhas pelas quais O Bom Pastor dá a Sua vida (Jo 10. 27-28) e que O Espírito Santo aplica a salvação.

Esses e esse somente. E a pergunta é: Você está entre esse povo? Caso contrário, tudo o que foi dito sobre a Santidade de Deus, aparte do sacrifício de Cristo se aplica a você. A infinita e insuportável Santa Ira do Deus Todo Poderoso está sobre você nesse exato momento em que lês estas palavras, e haverá o dia, e está perto, em que essa Ira será derramada em Sua plenitude sobre você num lago que arde em fogo e enxofre,  e não será só porque você não irá suportar que Deus irá diminui sua punição, nem mesmo por um segundo, durante toda a eternidade.

 

Aplicação.

1. Devemos todos os dias, colocar as lenhas, de uma profunda e sincera gratidão, no ardente fogo do gracioso evangelho que queima no altar de nossos corações.

Jamais devemos ser frios ou apáticos ao ouvirmos as boas novas da salvação. Deus revelou e manifestou Sua Maravilhosa Graça sobre nós.

Thomas Goodwin disse: Graça é mais do que amor e misericórdia, é superior a elas. Graça denota, não apenas amor, mas o amor de um soberano, transcendentalmente superior, que pode fazer o que quiser, e escolher se vai amar ou não. Pode haver amor entre iguais, e alguém inferior pode amar alguém superior. Mas alguém superior, que é tão superior que pode fazer o que quiser esse tal amor é chamado graça. Graça é portanto atribuída a príncipes, é dito que eles são graciosos com seus súditos, enquanto seus súditos não podem ser graciosos para com seu príncipe. Ora, Deus que é infinitamente Soberano, que poderia ter escolhido se alguma vez iria nos amar ou não, o fato Dele nos amar, isso é graça!

 

2° Que o fogo do evangelho, sempre crescendo em nós, venha a nos motivar ao evangelismo, venha a nos lançar ao Ide, e fazer nos entregar nossas vidas para que outras pessoas sejam alcançadas pela graça de Deus.

Verso 20.

Deus promete algo em comum a Abraão, Isaque e Jacó.

Para Abraão. Gn 12. 1-3 “Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei, de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.”

 

Para Isaque Gn 26.24 “Na mesma noite, lhe apareceu o SENHOR e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo; abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência por amor de Abraão, meu servo.”

 

Para Jacó Gn 28. 13-15 “Perto dele estava o SENHOR e lhe disse: Eu sou o SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido.”

Cristo é O descendente prometido, e Nele todos os que creem recebem a suprema benção da salvação.

Que as promessas de Deus nos motive a fiel e corajosa proclamação de Seu Santo, Gracioso e Eterno Evangelho!

Amém.

 

 

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