Os puritanos e a axiologia Cristológica.

Valores.

O que são valores? Embora isso seja tão antigo como nossa raça humana, só no século 19 surgiu a “teoria dos valores” ou a axiologia (do Grego axios, “valor”). A axiologia não se preocupa com a ontologia e sim com as relações entre os seres e o sujeito que os aprecia.

Os seres (vivos, inertes, ideias) movem nossas afeições por atração ou por repulsa. Portanto, algo tem valor quando não nos deixa indiferentes.

Manuel G. Morente diz: “Os valores não são, mas valem. Uma coisa é valor outra coisa é ser. Quando dizemos de algo que vale, não dizemos nada do seu ser, mas dizemos que não é indiferente. A não indiferença constitui essa variedade ontológica que contrapõe o valor ao ser. A não indiferença é a essência do valor”.[1]

Gostaria de em poucas palavras, nos desafiar com a seguinte questão: Em sua vida com um todo, qual é o valor que você dá a Jesus Cristo?

Ele mesmo nos ensina em Marcos 8. 36-38 “Que aproveita[2] ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria o homem em troca da sua alma? Porque, qualquer que, nesta geração adultera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também O Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de Seu Pai com os santos anjos”.

Uma verdade axiológica totalmente desprezada e reputada como louca pelo mundo incrédulo. Se para o homem, a vida de sua alma possui mais valor do que todo o kosmos, o que diremos então, se compararmos o valor de Cristo com qualquer outro valor ou todos os valores juntos?

No texto acima de Morente, ele diz que uma coisa é o valor e outra coisa é o ser, e isso é verdade. Mas por um lado, é impossível para nós cristãos, falarmos do valor de Cristo, sem falarmos de seu Ser. Podemos dizer que Cristo é infinitamente valoroso, por causa de Seu Ser, indescritível, incomparável, eterno, infinitamente glorioso, belo, santo e digno da sétupla, perfeita e universal adoração, ou seja, digno de Louvor, e Glória, e Sabedoria, e Ações de Graça, e Honra e Poder e Força pelos séculos dos séculos, Amém! (Ap 7. 12).

Cristo possui um valor infinitamente maior do que todas as coisas. Os puritanos eram mestres em descrever o valor e a beleza de Cristo, vejamos alguns exemplos:

Thomas Goodwin disse: “Se tivesse que ir ao céu e descobrisse que Cristo não estava lá, eu sairia correndo imediatamente, pois o céu seria o inferno para mim sem Cristo”.

James Durham escreveu na sua aplicação do sermão sobre Cantares de Salomão 5:16: “Se Cristo é amor como um todo, então todo o resto é repulsivo como um todo“. Nós não nos sentimos assim em relação a Cristo, sentimo-nos? Queremos um pouquinho de Cristo, mas também um pouquinho de várias outras coisas. Mas o verdadeiro cristão quer Cristo e nada além de Cristo.

Samuel Rutherford escreveu o seguinte a respeito da beleza de Cristo:

Eu ouso dizer que escritos de anjos, línguas de anjos, e mais que isso, e tantos mundos de anjos como existem pingos de água em todos os mares e fontes e rios da terra não O poderiam mostrar-lhe. Eu acho que Sua doçura inchou dentro em mim até a grandeza de dois céus

Ah! Quem dera uma alma tão extensa, como se estendesse até a linha final dos mais altos céus para conter o Seu amor. E ainda assim eu poderia conter só um pouquinho deste amor. Oh! que visão, de estar no céu, naquele lindo jardim do Novo Paraíso, e assim ver, sentir o cheiro, tocar e beijar aquela linda flor-do-campo, a árvore sempre verde da vida! A sua sombra seria o suficiente para mim; uma visão dEle seria a garantia do céu para mim.

Se existissem dez mil milhões de mundos, e tantos céus cheios de homens e anjos, Cristo não seria importunado para suprir todos os nossos desejos, e nos preencher a todos. Cristo é uma fonte de vida; mas quem é que sabe qual a sua profundidade até o ponto mais fundo? Coloque a beleza de dez mil mundos de paraísos, como o jardim do Éden em um; coloque todas as árvores, todas as flores, todos os odores, todas as cores, todos os sabores, todas as alegrias, todos os amores, toda doçura em um só.

Oh! Que coisa linda e excelente isso seria? E ainda assim seria menos para o lindo e querido bem-amado Cristo do que uma gota de chuva em todos os oceanos, rios, lagos e fontes de dez mil mundos.

Esses são homens que verdadeira e intensamente amavam e valorizavam a Cristo acima de todas as coisas.

Se nós não valorizarmos a Cristo nesta terra, isso é o mesmo que negá-Lo e se envergonhar Dele, Ele certamente irá se envergonhar de nós e nos negar diante do Pai naquele grande Dia.

Se os valores são, num primeiro momento, herdados, ao nascermos, o mundo cultural já é um sistema de significados estabelecidos. Nesta geração adultera e pecadora que despreza a Cristo, devemos brilhar em meio a toda essa escuridão, a luz da transcendente, fervorosa e sincera admiração por tudo o que Cristo É!  


[1] Morente, Manuel García. Fundamentos de filosofia: lições preliminares. 2. Ed. São Paulo: Mestre Jou, 1996. P. 296.

[2] A palavra grega usada aqui é ôphelo, “ser útil, beneficiar-se, vantagem, proveito”.

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